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Ilhabela – Aberta a Exposição “50 Anos Fazendo Arte”

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O artista caiçara, Giba Ilhabela, é autodidata e nessa mostra apresenta mais de 30 obras inéditas

Foi aberta a Exposição “50 Anos Fazendo Arte”, na sede da Fundação Arte e Cultura de Ilhabela – Fundaci, na Vila, pelo prefeito Márcio Tenório, acompanhado do secretário de Cultura, Adalberto Henrique da Silva Lopes – Professor Beto; do secretário executivo da Fundaci, Adilson Benedito do Nascimento; da secretária de Planejamento e Gestão Estratégica, Juliana Louro e do artista caiçara Gilberto Gomes Pinna – Giba Ilhabela.

Uma realização da Prefeitura, por meio da Secretaria de Cultura e Fundaci, a mostra, que se estende até o dia 5 de maio, conta com 33 obras inéditas do artista Giba Ilhabela, que variam de desenhos em bico de pena até pinturas em acrílico e tela. O artista completou 50 anos de carreira em 2018 e, para celebrar a data especial, inaugura a exposição no arquipélago onde nasceu e foi criado. A mostra ainda tem a curadoria do artista Eros Pinna, com realização da Prefeitura de Ilhabela por meio da Secretaria de Cultura e Fundaci, e apoio do grupo O Ancoradouro, Livraria Nobel Caraguá e MG Editora.

Giba completou 71 anos e segue impetuoso em suas criações. Todas as obras da exposição foram desenvolvidas especialmente para a ocasião e seguem uma ordem cronológica, contando sua vida e trajetória artística através dos quadros. Giba é autodidata e cria obras que variam do desenho com técnicas mistas até o reconhecido estilo naif, passando por influências do ilusionismo fantástico e do abstrato. Saído de uma infância simples na praia da armação, hoje o artista é reconhecido em todo o mundo e possui obras em importantes museus e pinacotecas fora do país, além de acervos pessoais pelo mundo.

Assim como as histórias misteriosas de Ilhabela, que incluem piratas reais, naufrágios trágicos e tesouros escondidos, Giba traz para a exposição o retrato de sua origem, rodeado pela cultura tradicional caiçara da salga do peixe, pesca artesanal e confecção de canoas e redes. Além das festas religiosas, como a consagrada Congada de São Benedito da qual é um dos primeiros participantes. Sua influência passa ainda pela migração para São Paulo, onde consolidou sua técnica na fervorosa Praça da República nos anos 1970, e pela rica cultura nordestina, já que mora hoje em Fortaleza e integra a roda de artistas cearenses contemporâneos.

O artista teve como mentor o consagrado pintor basco Fernando Odriozola, que definiu influências decisivas para a consolidação de sua técnica. Os dois conviveram em Ilhabela e, inclusive, fundaram o primeiro movimento cultural do município, em 1967, quando criaram um ateliê coletivo que se tornou referência regional e berço para o tradicional Salão de Artes Waldemar Belisário, que completou 45 anos.

Rifa

Um dos principais símbolos da cultura de Ilhabela, a Congada de São Benedito, foi retratada na tela “Ceia dos Congueiros”, em uma referência a Santa Ceia com pitadas da cultura africana. O quadro será rifado e o valor arrecadado será revertido para a Associação dos Congueiros de Ilhabela.

A obra é uma homenagem a São Benedito, único santo negro da igreja católica. Filho de escravos etíopes, o santo deixou suas marcas em Ilhabela, onde é conhecido por operar milagres e onde também a escravidão moveu a economia durante décadas. Houve um período no arquipélago que a população negra trazida em navios de todo o mundo era maior do que a de homens livres. Os descendentes dessa história ajudaram e formar a nação e a identidade caiçara e fundaram a Congada de São Benedito.

Workshop e Intervenção

Giba Ilhabela também preparou para seus 50 anos de carreira uma vivência especial, voltada às crianças. O artista vai conduzir uma pintura coletiva com 50 alunos da rede escolar no próximo domingo (28). Ele vai abordar técnicas de desenho e pintura para que os estudantes recriem a obra “Armação”, em uma releitura individual. A criança que fizer a melhor pintura será premiada e todos levarão medalhas para casa.

Na parte da tarde, o artista comanda uma intervenção urbana, retomando o movimento “Arte e Pensamento Ecológico”, criado na década de 70. Em uma época em que ainda pouco se falava destes problemas atuais, Giba e seu grupo pintavam quadros retratando a morte de índios, animais e a destruição da flora brasileira. Ele conta que quase foi preso por abordar estes temas na época, mas também foi um dos primeiros a trazer à tona essa importante discussão.

Serviço

Exposição “50 Anos Fazendo Arte”

Local: Fundaci – Avenida Dr. Carvalho, n° 80 – Centro Histórico – Vila

Horário: Segunda a quinta, das 9h às 18h – Sexta, das 9h às 22h – Sábado, das 14h às 22h – Domingo, das 10h às 20h.

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