Corridas de fim de ano precisam de treinamentos preparatórios, alertam especialistas

A corrida é uma prática que vem ganhando cada vez mais adeptos pelo mundo, de crianças a adultos. Na região do Vale do Paraíba não é diferente, basta ver o número de corridas que surgiram nos últimos anos com a participação cada vez maior do atleta amador. Mas, para participar destas competições não bastam ter força de vontade, disposição e tênis. E o treinamento para as corridas de fim de ano não pode ser às vésperas, alertam os especialistas físicos.

A temporada de provas está aberta, entre elas a tradicional São Silvestre e é necessário ter uma preparação ao longo do ano, treinando força muscular e resistência e muitas vezes um treino focado na melhora da maior deficiência do atleta amador. Todo este cuidado visa evitar lesões ou até mesmo risco de morte para as pessoas.

Um exemplo de treinamento planejado e focado vem do educador físico de São José dos Campos, Eid Nogueira com seu aluno que é corredor amador, Rafael Lemos Paes. Eles iniciaram os treinamentos no início deste ano, a partir de janeiro, visando as provas do circuito X – Terra (20 Km) e 3 Trilhas (21 km), realizada no último fim de semana (1/12) em Cajamar.

“A preparação física para corrida ou para qualquer esporte é baseada no calendário esportivo anual, escolhida as provas, monto uma periodização do treinamento focado em deixar o atleta na melhor condição física para a prova.  Essa periodização aborda o treinamento físico, mental e psicológico. As estratégias de treinamento visam melhorar em primeiro lugar, a força, resistência de força e flexibilidade na estrutura muscular.  Já no sistema cardiorrespiratório, o trabalho é para a melhora da capacidade respiratória e o vo2 – volume de oxigênio máximo para resultados mais efetivos de provas de Montanha e Aventura. Dessa forma conseguimos evitar lesões e deixamos o corpo em sua capacidade máxima para competição”, comentou o educador físico Eid Nogueira.

Com o corredor amador Rafael Lemos Paes o treinamento foi iniciado em janeiro, desenvolvendo um trabalho de força e resistência e depois foi especificado o trabalho, voltando todo treinamento mais para corrida, portanto, o treinamento começou na musculação e depois foi na pista.

“É preciso dosar para cada atleta a intensidade, duração, sobrecarga e frequência de cada treinamento. Assim consideramos cada um como ser único. Chegamos na primeira competição, em maio, preparados para prova e corremos o circuito X-TERRA com excelentes resultados e também recentemente no 3 Trilhas”, conta o preparador físico que também participa das corridas com os alunos.

O segredo para se ter resultado é o treinamento constante, a orientação do profissional, alimentação, sono com qualidade e hidratação.

“O grande erro que ocorre comumente entre atletas amadores é tentar fazer uma prova faltando um mês, não existindo assim, tempo hábil suficiente para que ocorra uma preparação e uma adaptação muscular. Dessa forma, ao invés de benefício o exercício acaba trazendo problemas para o praticante que vai participar de um evento, podendo sofrer graves lesões musculares, distensões, torções e até fraturas”, alerta Eid Nogueira.

Rafael Lemos Paes, que é militar da FAB, tem uma rotina rígida de trabalho, atuando também como pesquisador do Estudos Avançados, ele tinha como objetivo melhor sua performance nas corridas e se dedicou ao treinamento periodizado.

“Meu trabalho exige um esforço de 10h até 12h por dia, o esporte é uma válvula de escape. Permite que estabeleça um equilíbrio emocional e mental. Neste um ano de treinamento, a cada prova que participei, Eid avaliou o que deu certo e errado. Ele observa seu estado no dia do treino e adapta o programa para que você possa render o máximo dentro das condições do dia”, disse Rafael.

Outro diferencial dentro deste tipo de treino preparatório, é que pode ser detectado outros tipos de problema que podem influenciar nos resultados do atleta amador.

“Nestes acompanhamentos e nestas observações, o treinador indica tratamentos complementares com profissionais capacitados, como: Osteopata, Nutricionista, Fisioterapeuta, Ortopedista. Essa visão holística faz com que nós corredores vejamos a importância de equilibrar diversos aspectos do corpo e da vida. Ao longo deste ano eu percebi que minha resistência, definição muscular, técnicas, e força mental são muito maiores e melhores, agora ao final de 2019 do que o início, sem contar que você ganha um amigo de corrida”, completou o atleta amador.

Portanto, para a prática de qualquer atividade física, inclusive a corrida, é necessário que o praticante tenha consciência do seu preparo físico e sua importância. Se uma pessoa sedentária quiser iniciar a prática da corrida, ela deve estar consciente que deverá passar por um período de transição e treinamento. A corrida vai além da competitividade, ela envolve principalmente a manutenção da saúde, sem riscos e sem lesões.

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